Caso APLB: Após 17 anos, PMs são condenados a 38 anos de prisão por execução de professores em Porto Seguro

Veredito em Itabuna encerra capítulo de violência sindical, mas prescrição livra suposto mandante do banco dos réus.

Por Portal do Guaiamum

07/05/2026 08h30 Atualizado há 5 minutos


Após quase duas décadas de espera por justiça, o Tribunal do Júri de Itabuna encerrou, na tarde desta quarta-feira (06), um dos processos mais emblemáticos da história da violência contra lideranças sindicais na Bahia. Os policiais militares Sandoval Barbosa dos Santos e Joilson Rodrigues Barbosa foram condenados a penas que somam 38 anos e 6 meses de reclusão pelo assassinato dos professores Álvaro Henrique Santos e Elisney Pereira.

O crime, ocorrido em setembro de 2009, chocou o Extremo Sul baiano pela crueldade da execução e pela clara motivação política. As vítimas eram dirigentes da APLB-Sindicato e lideravam uma greve da categoria quando foram mortas em uma emboscada.


As Penas e o Veredito

O julgamento, iniciado na manhã de terça-feira (05), foi acompanhado sob forte comoção de familiares e colegas de profissão. A sentença individualizada para cada um dos réus foi dividida da seguinte forma:

  • Pelo homicídio de Álvaro Henrique: 21 anos, 10 meses e 15 dias.

  • Pelo homicídio de Elisney Pereira: 16 anos, 7 meses e 15 dias.

  • Pena Total: 38 anos e 6 meses de reclusão.

A disparidade entre as sentenças ocorreu devido a agravantes no caso de Álvaro. O conselho de sentença destacou o impacto social e o dano familiar irreparável, lembrando que a vítima deixou um filho com deficiência que, na época, era um bebê de apenas um ano.


Relembre o crime: A emboscada da “Falsa Notícia”

O duplo homicídio aconteceu no dia 17 de setembro de 2009. Segundo a denúncia do Ministério Público da Bahia (MPBA), os professores foram atraídos para uma armadilha cruel. Eles receberam a falsa notícia de que o filho de Álvaro estava passando mal e, ao se deslocarem para a zona rural de Porto Seguro em direção ao sítio da família, foram interceptados e executados a tiros.

A investigação apontou que o crime foi motivado pela contundente atuação sindical de Álvaro Henrique, que fazia críticas severas à gestão do então prefeito Gilberto Abade. Os policiais agora condenaos trabalhavam na segurança do ex-gestor e foram apontados como intermediários na contratação dos executores.


O Gosto Amargo da Impunidade Parcial

Apesar do desfecho condenatório para os policiais, o caso deixa uma lacuna que revolta a sociedade civil. Edésio Lima, ex-secretário de Governo e Comunicação, apontado pelo MPBA como o mandante intelectual do crime, não foi julgado.

A Justiça reconheceu a extinção da punibilidade de Edésio devido à prescrição do processo. Na prática, a demora do sistema judiciário fez com que o Estado perdesse o prazo legal para processá-lo, resultando em sua retirada definitiva da condição de réu e impedindo qualquer condenação.

Luta que Não Para

Representantes da APLB e familiares compareceram ao fórum vestindo camisetas com os rostos dos professores. Para o sindicato, a condenação dos PMs é um marco na resistência contra o silenciamento de movimentos sociais no interior baiano. “A justiça tardia não apaga a dor, mas mostra que o sangue de quem luta pela educação não será esquecido”, afirmou um dos presentes.

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